CULTURAS DE COBERTURA: MUITO ALÉM DOS NOSSOS OLHOS

CULTURAS DE COBERTURA: MUITO ALÉM DOS NOSSOS OLHOS

O cenário agrícola atual tem exigido decisões cada vez mais estratégicas, uma vez que a imprevisibilidade climática, os custos elevados de produção, especialmente com fertilizantes, e a instabilidade das commodities aumentam o risco econômico nas propriedades rurais.
Diante disso, cresce a busca por soluções que não apenas sustentem a produtividade, mas tornem o sistema mais eficiente e resiliente, e parte dessas respostas já está no campo, em práticas conhecidas, mas ainda subexploradas em seu potencial.

Entre elas, as culturas de cobertura ganham destaque, porque mais do que proteger o solo, atuam diretamente na melhoria das características biológicas, físicas e químicas, influenciando o desempenho das lavouras e fortalecendo os princípios do Sistema Plantio Direto, como a manutenção da cobertura, a rotação de culturas e o mínimo revolvimento do solo.
Esse entendimento tem sido reforçado por profissionais da área, como o engenheiro agrônomo Mateus Sangiovo, que atua com foco na construção de ambientes de produção, destaca que o avanço está na forma como essas práticas são integradas ao sistema. Na mesma linha, a professora Mariana Rockenbach de Ávila, pesquisadora em agricultura regenerativa, aponta que o uso estratégico das culturas de cobertura tem papel central na construção de sistemas mais equilibrados e produtivos.

Nesse contexto, o manejo passa a ser determinante. O uso isolado já traz benefícios, mas é a combinação de estratégias que amplia os resultados, e entre as principais estão os mix de culturas, a semeadura no verde, o consórcio com culturas comerciais e o uso de estímulos fisiológicos.

Na prática, essas técnicas aumentam a eficiência no uso da água, favorecem a ciclagem de nutrientes e estimulam a atividade biológica do solo. Os efeitos são percebidos ao longo das safras, com melhorias no desenvolvimento radicular, maior aproveitamento de água e oxigênio no solo e incremento da atividade biológica.

Em áreas onde o milho é implantado sobre cobertura ainda ativa, por exemplo, observa-se melhor aproveitamento de carbono disponível, o que contribui para o estabelecimento inicial da cultura. Além disso, a qualidade dos resíduos após a colheita tende a ser superior, favorecendo a continuidade do sistema produtivo.
Esse conjunto de fatores impacta diretamente a eficiência econômica, um sistema mais equilibrado permite melhor aproveitamento dos nutrientes já presentes no solo, reduz a dependência de insumos externos e aumenta a resiliência frente a condições adversas.

Mais do que uma tendência, esse movimento está ligado à evolução da agricultura regenerativa, que busca integrar produtividade, estabilidade e sustentabilidade ao longo do tempo. Nesse modelo, o solo passa a ser tratado como um ativo estratégico da produção.

Para a safra 2026/2027, o planejamento das culturas de cobertura deve ser encarado como parte estrutural do sistema produtivo, e não como uma prática complementar.
A AG Croppers acompanha esse avanço, conectando conhecimento técnico, experiência de campo e tomada de decisão para apoiar produtores na construção de sistemas mais eficientes.

Autores:
Mariana Rockenbach de Ávila é Doutora em Zootecnia pela UFRGS, com período no Instituto de Agrobiotecnología (IdAB), na Espanha. É professora da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), atuando nos cursos de Agronegócio, Agronomia e Zootecnia. Desenvolve projetos em agricultura regenerativa em países da América do Sul e Central e integra o GESPAMPA.

Mateus Sangiovo é Engenheiro Agrônomo pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM/ FW). Aluno de Pós Graduação em Agronomia, Agricultura e Ambiente (UFSM/ FW). Desenvolve projetos com foco em construção de ambiente de produção.